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Como lidar com a incontinência urinária

Dr. Sérgio Munhoz

Muitos idosos sofrem com incontinência urinária – a perspectiva é que de 8% a 34% da população passe por este problema na terceira idade (em alguns casos antes da terceira idade). E quem tem idoso em casa precisa ter toda a compreensão e o carinho necessário para atender as necessidades da pessoa na velhice. Para isso, algumas dicas e técnicas são bastante úteis, como veremos.

O que é a incontinência urinária?

A incontinência urinária é uma condição na qual ocorre a perda involuntária de urina. Trata-se de um problema social ou higiênico e é objetivamente constatada. Pode ocorrer em qualquer fase da vida, sendo mais comum na terceira idade e na infância. Não é parte natural do envelhecimento, mas um sintoma de algum transtorno psicológico ou do funcionamento fisiológico de alguma forma debilitado.

incontinência urinaria

A medicina avançou bastante nesta área e hoje se entende que não se trata apenas de um problema exclusivo da velhice. Como muitas vezes ocorre nesta fase, pode indicar outros problemas na bexiga ou de outra ordem e atualmente há uma série de tratamentos eficazes.

É certo dizer que a incontinência urinária pode causar consequências severas, de caráter social, como o medo de que ocorra em público, o isolamento, a vergonha ou a depressão, por exemplo. Em todos os casos, o acompanhamento médico é indicado, uma vez que se trata de uma condição anormal de saúde. Em grande parte dos casos, a incontinência urinária pode ser sanada ou otimizada.

Quanto ao idoso, a incontinência urinária está ligada às alterações da motivação, de destreza manual, de mobilidade, de lucidez, assim como à existência de doenças associadas – por exemplo, diabetes mellitus, alterações neurológicas, dentre muitas outras. É preciso que o médico investigue melhor o caso.

É justamente no trato urinário inferior onde ocorrem as alterações fisiológicas relacionadas ao envelhecimento, mesmo quando não há outras doenças. Com a passagem do tempo, a força de contração da musculatura detrusora, a capacidade vesical e a habilidade de adiar a micção aparentemente diminuem, seja no homem ou na mulher. Podem ocorrer contrações involuntárias da musculatura vesical e o volume residual pós-miccional também aumentam com a idade, em ambos os sexos, ocorrendo a incontinência urinária.

Devemos levar em consideração ainda que a pressão máxima de fechamento uretral, o comprimento uretral e as células da musculatura estriada do esfíncter alteram-se predominantemente nas mulheres, que sofrem mais com a incontinência urinária. Conforme a Sociedade Brasileira de Urologia, cerca de 40% das mulheres desenvolvem a doença, após a menopausa.

Como causas, há as alterações decorrentes da senilidade dos tecidos, doenças próprias do idoso também contribuem para o desenvolvimento de incontinência urinária. Um problema relacionado, no caso dos homens é a hiperplasia prostática benigna, que ocorre em 50% dos homens aos 50 anos de idade, em metade dos quais causa obstrução ao fluxo urinário e acarreta alterações significativas do trato urinário inferior.

Dicas para tratar a incontinência urinária

O primeiro passo para quem cuida de idosos em caso é levá-lo ao médico e fazer exames assim que a incontinência aparecer na sua rotina. Somente o médico poderá determinar qual o melhor tratamento. Ele fará uma análise minuciosa do histórico de cada paciente. Muitas vezes, serão necessárias medidas que visam uma mudança de comportamento por parte do idoso. Entre as mudanças de comportamento e tratamentos mais amplos, eis algumas dicas que farão a diferença no bem-estar do idoso:

1) Instruir o idoso a urinar em intervalos regulares, a cada 2 ou 3 horas, para manter a bexiga relativamente vazia.

2) Cuidar para não oferecer ao idoso as bebidas irritantes para a bexiga, como por exemplo, as que contêm cafeína ou gás.

3) Instruir o idoso a urinar com o auxílio de compressão manual do abdome inferior e inspiração forçada. Saiba que foi comprovado que os episódios de incontinência de urgência frequentemente podem ser evitados através da micção em intervalos regulares, evitando a urgência miccional. Há muitas técnicas de exercícios da musculatura pélvica, que podem ser aprendidos com fisioterapeutas e enfermeiros especializados.

4) O cuidador tem um papel muito importante na reabilitação do idoso com incontinência urinária, pois é ele quem deve auxiliar no ensino desses exercícios, que implicam na contração repetida da musculatura, várias vezes ao dia, para desenvolver a resistência e o aprendizado da utilização adequada da musculatura, nas situações que provocam incontinência urinária. Como ocorre a aplicação destes exercícios? Deve ocorrer uma leve pressão através da compressão da região abdominal inferior com as mãos, logo acima da bexiga, também pode ser útil, especialmente para os indivíduos que conseguem esvaziar a bexiga, mas apresentam dificuldade para esvaziá-la completamente.

5) Consulte sempre o médico, quando ocorrer os casos de incontinência urinária, com ou sem dor durante a micção. Apenas ele pode indicar medicamentos. O tratamento medicamentoso deve ser controlado e ajustado segundo as necessidades individuais de cada paciente. No caso de idosos com depressão por causa da doença, um terapeuta pode ser necessário.

6) Existe ainda a possibilidade de correção cirúrgica para fazer o levantamento da bexiga e do fortalecimento do fluxo urinário de saída, no caso das mulheres – ele é indicado quando os demais tratamentos não funcionam. Para a incontinência entre homens, causada pelo aumento da próstata ou por outra obstrução, a cirurgia normalmente é necessária.

7) Quando é impossível controlar a incontinência urinária com tratamentos específicos, os absorventes e roupas íntimas especialmente projetadas para incontinência urinária podem proteger a pele, permitindo que os indivíduos permaneçam secos, confortáveis e socialmente ativos.

8) Amor e dedicação contam muito na hora de compreender que o idoso não tem escolha quanto ao seu problema e falhas ou acidentes podem ocorrer e devem ser urgentemente remediados, com muita paciência e carinho.

9) Estar preparado para a incontinência é fundamental. É importante ter sempre à mão um par de roupas, fraudas descartáveis no tamanho certo do idoso, lenços umedecidos e outros itens necessários para a fazer a higienização e garantir o bem-estar do idoso.

10) Mantenha o diálogo com o idoso sobre a sua condição de saúde e explique que apesar da incontinência urinária ser um mal, é algo comum na sua idade e não tem do que se envergonhar. Há sempre um tratamento que possa melhorar o problema.

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Dr. Sérgio Munhoz

Dr. Sérgio Munhoz

Com mais de 30 anos de atuação em Medicina, o Dr. Sérgio Munhoz é especialista em Anestesiologia, Dor, Cuidados Paliativos e Termografia Médica e possui doutorado pela Unesp-SP.

Atualmente leciona na faculdade Unoeste e atende em seu consultório, em Presidente Prudente-SP.

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